sexta-feira, 25 de junho de 2010

Chuva, eu peço que caia devagar.


E de repente – muito mais que de repente – a barragem da represa não suportou a força da chuva e a água invadiu uma cidade. Daí invadiu outra vizinha e neste instante, o meu estado, o nosso estado de Alagoas tem 21 cidades atingidas, a grande maioria (cerca de 15) em estado de emergência e as demais em estado de calamidade pública.


Foram quase 12 mil casas destruídas, quase 30 mil desabrigados, 34 mortes (subindo) confirmadas e cerca de 607(descendo) pessoas desaparecidas. Parece pouco?


Vamos lá, juntando as casas destruídas em Alagoas e Pernambuco dá uma média de 50 mil casas aos pedaços. Em PE foram 49 cidades atingidas, 12 mortes (oito delas em Recife) e são quase 15 mil desabrigados.


Esses dias o presidente da federativa do Brasil Luiz Inácio veio fazer uma visitinha ao estado, disse que a única coisa que havia visto parecido com isso tudo foi o que ele viu em sua viagem ao Haiti logo após aquela tragédia. Grande merda.


Coloca na manchete que a chuva destruiu tudo... a barragem da represa destruiu tudo! Antes de construir uma, tem que saber se ela não vai ceder quando houver uma tempestade, por isso que existem os chamados “projetos”.


Enfim, o estado até passou no jornal nacional, claro que Quebrangulo foi lembrada apenas como “a cidade em que o escritor Graciliano Ramos nasceu”. Sim, logo Graciliano Ramos. Aquele que até colocaram seu nome em um bairro, aquele que dizia “Alagoas é um ótimo lugar para cavar um buraco”. Era isso o que o romancista dizia a respeito do estado. Era esse o respeito.


Então,- se apesar de ter terminado o colegial em Alagoas e depois ido para o RJ e somente lá ter descoberto a faminha safada – se nem os alagoanos se dão o devido valor, a nossa querida Globo não o fará.


Portanto, alguns 20 segundinhos de tragédia pela tevê já é o suficiente, “vamos falar de futebol”. E assim o fizeram.


O que eu estou querendo dizer? Estou querendo dizer que não adianta ficar esperando pelos outros, NÃO ADIANTA ficar dependente de quem tem mais, ficar esperando pela Globo e esperar estampar as fotos nos jornais! É nessa hora que esse povo precisa dar as mãos e ajudar uns aos outros, senão o estado tende a ficar cada vez mais aos pedaços. Até virar pó, uma cidade abandonada do The Gladiator.


domingo, 20 de junho de 2010

Foi-se o tempo do Garrincha, o tempo do Pelé. Este que parou de jogar por causa da idade e o outro por causa de cachaça e de mulher.
Eis o futebol brasileiro, amigo. Antes era pela garra, pela honra, pela camisa, que pesava mais que o coração. E hoje, hahaha, hoje é pelo dinheiro, pelo dólar, para aparecer na televisão.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Olhos nos olhos - Chico Buarque




Quando você me deixou, meu bem

Me disse pra ser feliz e passar bem

Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci

Mas depois, como era de costume, obedeci


Quando você me quiser rever

Já vai me encontrar refeita, pode crer

Olhos nos olhos

Quero ver o que você faz

Ao sentir que sem você eu passo bem demais
E que venho até remoçando

Me pego cantando, sem mais, nem por quê

Tantas águas rolaram

Quantos homens me amaram

Bem mais e melhor que você.


Quando talvez precisar de mim

Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim

Olhos nos olhos

Quero ver o que você diz

Quero ver como suporta me ver tão feliz.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Garotos

Diz que sim, diz que não. Ou às vezes para ser mais preciso, nada diz, deixa a dúvida - só por pirraça, só para ver aquela sua cara de santa puta sem ter muito o que fazer. Uma promessa ou duas, tanto faz. Eu ouvi, eu lembro bem do que foi dito. Prometeu ficar aqui, prometeu não ir embora e na volta da escola passar aqui para me buscar. Garotos, garotos. Devem ser todos assim. Se mostram tão adocicados a priori e depois amargam para descer. A saliva me é pouca e ficam presos na garganta. Fica preso na garganta. Você entala, engancha e não me desce. Me sufoca, exatamente, me sufoca e me padece. Me atordoa, me enfraquece e me mente, sempre me mente, me esquece.
- Alô? Ele chegou?
- Chegou e já foi, quer deixar recado?
- Não, obrigada, deixa para lá.
Prometeu comer tudo e pediu um pouco mais de sal. Expliquei que fumantes ficam com pressão alta com o passar do tempo – maldita nicotina hahaha. Prometeu felicidade e sorrisos e verdades e saudades e vontades e tanta coisa, tanta coisa que não deu, não suportou, e nisso tudo o vazio me agarrou e ali mesmo eu dormi. Dormi feito criança cansada, feito o velho, feito a estrada, feito o nada, a ausência, o presente, o mais nada, o nada. Eu fiquei lá, esperando tudo isso fazer efeito e quando vi que não tem jeito eu dormi. Como quem escreve um poema, com os olhos fechados e a alma bem aberta para quando a poesia quisesse entrar. Eu dormi. E acordei, esperando que fosse um novo dia, um novo sol, uma alegria qualquer, um motivo a mais. Ou quem sabe um novo quarto com uma dose de tequila e um cigarro já aceso.
- Quer um copo d’água? Talvez te ajude a engolir.
Foram tantos copos d’água naquele noite, Mendonça, foram tantos copos que o oceano de repente ficou pouco, ficou puto, ficou seco, ficou torto, ficou terra, ficou meio assim sei lá. Vê se dá para acreditar. Eu já estava empanturrada e ele ainda queria me fazer engolir mentiras. Queria me fazer engolir mentiras. Degustar, apreciar. Mentiras...
- Eu não sei o que isso significa.
Mas eu sabia, lógico que sabia, já não era novidade. Significava uma falcatrua, uma mentira, um cinismo, um abandono. Era isso o significava, um abandono, dos maios frios e chuvosos que a noite pode/podia oferecer.
- Espere aí, não é assim.
É claro que é.
- Você não confia em mim.
Todo mundo sabe que não.
- Como não?
Nem em você e nem em ninguém.
Ele sabia disso também, mas eu tentava disfarçar, mudar algo, mexer aqui, acolá.
Foram tantos gritos, Mendonça, em algum lugar dentro de mim alguma coisa gritava tão alto que eu me assustava tão quieta e pensava que alguém podia ouvir. Como pode? Como faz? Eu queria ter alguém ao meu lado. Alguém para cessar meus gritos, que cessaram por cansaço. Alguém que me emprestasse um isqueiro e acendesse o meu cigarro e ficasse bem calado, sem nada perguntar. Já que depois do sono leve eu ainda estava ali, na mesma sala de estar do dia anterior, e do dia anterior ao anterior. Bela rotina, bela rotina, uma corda bamba entre o fim do poço e longo caminho sem luz.
Sabe, cara, às vezes a gente está tão manhoso e irritante, faz de um tudo para fingir que não se importa, mas na verdade só está tentando roubar um pouco a atenção, é uma maneira safada de pedir um abraço ou uma companhia, mesmo que bem calada.
Era o que eu queria naquela noite, um abraço ou esse silêncio tão humano. Eu não sei se eu te contei, mas o Matheus morreu. Era um amigo, você deve se lembrar. Ele deve ter pedido ajuda de alguma maneira estranha e alguém pode não ter visto. Então ele tomou remédios, bebeu e morreu. Eu não fui dar um último adeus, não comprei a rosa vermelha que eu deveria comprar, não falei com ele olhando para o céu ou desejei uma boa viagem. Nada de mandar beijos no ar e nem de colocar moedas nos olhos. Eu não fiz nada disso, não prestei homenagem alguma, ontem eu só queria um abraço de alguém que me trouxesse a verdade. Chegasse e dissesse “A viagem que você pensa que ele fez não tem volta. Seja forte, garota, seja forte”.
E eu seria, eu seria, mas sem nada e nem ninguém eu acabei morrendo também, mas de uma maneira mais dolorosa, eu morri em vida.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Apenas técnicas.



Banho uma vez por dia, banho no leito, lavagem íntima, depila as genitálias, corta todos os pêlos, ops! Desculpa, é tricotomia! Costura de cá, costura de lá. Faz um curativo decente! Mede a pressão, pesa o gordinho, mede a baixinha, anota no prontuário. Eu sei que o paciente tem direito de não querer tomar o medicamento, mas você sabe sua função: Convencê-lo. E se não convencer, você é preguiçosa, você não quer nada com a vida. Arruma a cama do paciente e se ele não puder levantar, arruma assim mesmo, dê um jeito, eu sei que você consegue! Deixa os sete lençóis na ordem perfeita, claro, depois de lavar os cabelos da moça. Não esqueça de cada maneira, a tal da cama aberta, da cama fechada. A cama fechada que é com paciente e a sem paciente. O leque, os dois palmos, a caixinha de presente, não tocar no chão, não tocar no jaleco, não tocar. Depois corta as unhas dele para não acumular germes, escova os dentes caso ele não possa e caso ele se alimente por sonda, você escova mesmo assim, daquele jeitinho que eu sei que você aprendeu, danada!
- Usa o papagaio para não molhar a cama.
- Mas no hospital não tem
- Então molha a cama, depois é você quem troca os lençóis mesmo! Hahaha
- __ ... =)
Aplica injeção, não erre a veia, passe o álcool. Coloca a água na boca dele com o canudinho, para ele não se engasgar. Abra as janelas, feche as janelas, coloque o biombo, tire o biombo, mas não tem biombo, se vira. Lave as mãos como se deve lavar e abra a torneira com o cotovelo, use duas folhas de papel. A cuba rim só serve para embelezar, você sabe que aqui não tem, então se vira, gata. Lava essa xereca, digo, essa vulva. Se estiver fedendo, coloca uma máscara. Se o paciente se excitar, finge que não viu. Palhaçada. Ética.
Fala com ele, mesmo que ele esteja em coma, explica para ele o que você vai fazer. Afinal, você é arrumadeira, é manicure, é cabeleireira, é faxineira, é barbeira, é tudo Eira, menos enfermeira. Sua puta!
Obrigada, hoje eu vim aqui para realçar minha indignação. Existem projetos de lei para enfermeiros receberem até cerca de d e z m i l r e a i s e técnicos de enfermagem cinco salários mínimos no máximo. Hahahhahahahhahahahahhahahhaha! FIlhodeumaputadocaralho. rs .
Eu compreendo que enfermeiros passam cinco anos estudando e querendo ou não sabem muito mais que técnicos, mas putaqueopariu poxa vida, a diferença é absurda. Enquanto os técnicos estão lá se fodendo trabalhando, os enfermeiros estão fazendo porra nenhuma estoque de remédios. Consegue me compreender? A indignação não é que os enfermeiros recebam isso tudo, é que os técnicos recebem isso... isso nada!
Mas não tem nada não, a profissão é irada. :]

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Estão destruindo TUDO! As banquinhas de jornal, derrubando a bicicletinha do pão, destruindo as calçadas, as verdades, as salvações. Hahaha.
Matam aqui, assaltam ali, depois assaltam acolá e matam em seguida. Arrastão, anarquia, movimento Sem Terra, MILHARES de obras públicas pela cidade. Duas a cada rua, avenida, 10 minutos para chegar até a esquina.
Vacinas,
doenças,
filas,
banco,
dinheiro,
falta de dinheiro.
Quem foi à igreja para se protejer, cuidado. Os padres estão comendo o cu dos fiéis.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Touro



Touro: Você é materialista e trabalha como um condenado. As pessoas pensam que você é um pão-duro, cabeça-dura, mão-de-vaca, estão certas. Além disso, você é um teimoso desgraçado que faz só burrada na vida e continua fazendo, fazendo, fazendo… Você deve estar se perguntando… Por que eu trabalho tanto e só me ferro? A resposta é simples: sua cabeça-dura não deixa você enxergar um palmo além do seu nariz. Por isso que você trabalha como um condenado e nunca consegue subir na vida. Só leva fumo! E graças a sua teimosia idiota, continua levando, levando, levando…mas somos muito gentis....muito obrigado... Sem levar em conta que você é um mimado retardado que quer tudo do bom e do melhor e foda-se o resto. Você é muito fresco e metidinho. Bom sexo com Escorpião, Câncer, Capricórnio e Virgem. Leve tesão por Peixes, Libra e Aquário. Chifra a bundinha de Gêmeos, Áries, Sagitário e Leão.

Como afastar esse filho da puta (taurino) de perto de você:

Peça pra dar uma dentada no sanduíche dele, peça material e objetos emprestados depois suma com eles. Quando estiver na casa dele, derrube copos e pratos, depois faça um sorrisinho e diga: "isso não tinha muito valor mesmo, não é?". Use perfume do tipo penteadeira-de-viúva e entre num carro junto com ele.

ADESIVOS PARA CARRO DE ACORDO COM OS SIGNOS...

TOURO:

"Motel Faraós"

"Restaurante Bom-de-Garfo"

"Não tenho tudo que amo...mas é uma questão de tempo e paciência..."

"MEU outro carro também é MEU"

"Não me siga! Vou seguir este caminho até o fim!"

"Consulte sempre um guia gastronômico"

"Pedi, e ser-vos-á dado"

Reação de cada signo após um amigo ser assaltado. (Estavam em uma casa reunidos num almoço 12 pessoas, uma de cada signo. De repente entra uma décima terceira, ofegante, dizendo que acabou de ser assaltada. )Aqui estão as reações de cada signo:

TOURO: Comenta sem se preocupar muito:

- Ah, o importante é que você está bem... Vão os anéis mas ficam os dedos...

Quantos taurinos são necessários para trocar uma lâmpada?

- Nenhum: Taurinos não gostam de mudar nada.

Como os signos vão à padaria:

Touro: Acorda, coloca uma camiseta básica, um jeans comum e está bonita. Sai na rua e as pessoas dizem: “que bonita ela é” e em seguida perguntam quanto é o programa, já que toda taurina é levemente puta.

- http://desciclopedia.org/wiki/Signos -

sábado, 10 de abril de 2010

Criado mundo.


Esses dias eu te falei coisas que nunca pensei que poderia chegar e falar para alguém, e logo você que me intimida tanto. Talvez por isso eu não te olhei nos olhos. Talvez eu tenha medo da decepção, da vergonha, da descoberta que nem tudo é como parece ser.
Eu aprendi na minha vida que para todo amor nós dizemos adeus, para t o d o amor nós dizemos adeus. Seja lá quando for, seja lá por que for, seja lá por quem for. O “eu te amo” mal existe e o “para sempre te amarei” não passa de uma grande ilusão.
Eu não sei como você consegue ser tanta gente em um só corpo e estar na minha vida como cada uma dessa gente. Ser tão importante e essencial e de repente não me valer nada, nem um riso, nem um real.Eu te falei tantas vezes, te falei naquele dia, você não deve nem lembrar. “Você é o único que está comigo agora, o único que estaria.” E é e eu sei que seria, mas não sei até quando será. O único que depois de todas as minhas reclamações e insultos e desconfianças e todos os pontos negativos, numa noite como aquela soube chegar em silêncio, me abraçar, permanecer em silêncio e ficar. Talvez por isso eu não diga sempre que te ame, eu receio chegar uma hora na qual você vai cansar de ouvir e parar de ser assim para sentir o meu silêncio. Talvez por TUDO isso, eu te deixo saber que eu te amo, porque às vezes dá vontade de gritar bem alto, e dá vontade de sair quebrando tudo, mas quando você diz que precisa ir é como se tudo perdesse a força e começasse a desabar aos pouquinhos, minuciosamente, e tudo aqui por dentro sai de órbita. Ir para onde? Para onde você precisa tanto ir? De onde vem tanto trabalho e tanta prova? Não acaba? Nem um dia? E as histórias mal contadas
- Você não confia em mim.
Não posso confiar em alguém que quando fica de frente com o mundo foge e quando fica de frente das situações corriqueiras foge e quando fica de frente de situações que precisa resolver, entra no quarto, pega a bolsa e vai embora.
- Posso te fazer uma pergunta?
- Pode...
- Sua vida foi sempre assim?
- Sim, foi sempre assim.
(Então você me ninava e dizia baixinho “não fique triste, meu amor”...)
Você me chamava de “meu amor”, e eu sentia tanto afago naquele “amor”, sentia tanta segurança que dava vontade de te dizer que queria abraçar sempre a tristeza só para te ouvir me chamar daquele jeito.
Algumas pessoas nasceram para chorar e outras pessoas nasceram para vender lenços, Chico, coloque isso em sua cabeça. Se todas as pessoas fossem iguais, o mundo não faria sentido, a vida não faria sentido, nada faria ou teria sentido. Por isso uns são tão felizes e outros são tão tristes. Por isso uns riem tanto e outros choram tanto. Embora todo e qualquer ser humano tenha a base no sofrimento, todo e qualquer ser humana aja em função da dor. Ou para supri-la ou para evitá-la, por isso tantos risos não me cativam. Porque muitos desses são como máscaras de carnaval, usa durante o dia e quando a noite cai, entra no quarto, guarda a máscara no criado mudo e dorme triste. E quando a manhã chega, pega a máscara do criado mudo, gruda no rosto e cai no mundo mal criado e mudo. E depois de um tempo, chega em casa, entra no quarto, acha que guardou a máscara no criado mudo e acha que colocou de novo pela manhã, a rotina é tão contínua, tão presente, que não percebe que há tempos que ela está grudada ali e não há nada que a tire.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Everyone I love goes away in the end.

terça-feira, 23 de março de 2010

Uns esclarecimentos no escuro


Eu não sei mais nada, sobre nada. Não sei que horas começam suas aulas e nem tampouco por que você sai tão cedo de casa, não sei se tem outra, se mente quando diz que não tem, se mente quando diz que me ama ou se mentia quando dizia. Não sei nem porque não diz mais, você diz que é porque cansou de dizer sempre e não ouvir nunca, e eu sempre acho que é mentira, talvez por um costume, uma tradição. Nunca acreditar no que os homens dizem.

Nunca entendi o real motivo, mas sempre carreguei esse fado comigo. “Nunca acreditar completamente no que tem uma possibilidade – mesmo que mínima – de ser falso”. NUNCA. E graças a isso minhas feridas não são abertas, graças a não deixar o homem se aproximar tanto minhas dores ainda são suportáveis. Porém, quando digo “homens”, eu quero dizer “seres humanos”, portanto: Nunca acreditar no que os seres humanos dizem.

Nós sempre mentimos quando nos convém, quando nos faz bem, quando nos traz proveito, lucro. Quando nem sabemos por que ou até mesmo quando sabemos, temos plena consciência de que não devemos, mas ainda assim, mentimos, como se pudéssemos depois dizer “Desculpa, foi por força maior” e como se o outro fosse um idiota para sempre responder com um “tudo bem,, eu entendo”.

Eles nunca entendem e nunca está tudo bem. Eu não entendo e não está tudo bem.

O ser humano não tem raça, não tem jeito, não tem mais solução. Somos todos tão perecíveis, limitados, sádicos, abra os olhos, a natureza vale mais. Mas enfim, o fato é que eu não sei em qual ponto estamos.

Não sei se é o ponto de partida, o ponto de chegada, ou ainda estamos nessa estrada que o fim não se vê daqui.

E vez ou outra eu paro para pensar nessa estória dos pontos e de repente me pego paquerando você, pensando em como poxa seus olhos podem ser tão bonitos e como poxa você consegue ser tão bobo e me fazer rir da menor coisa que pareça ter graça. Mas eu simplesmente não sei, oras, eu não sei.

Não sei por que não liga, não sei se sente falta, por que não sente falta, por que não me pergunta, não me diz, não me abraça.

Por que nunca quer acordar na hora certa, não sei por que é tão teimoso, tão desatento, tão mentiroso, tão amoroso, tão machista, tão egoísta, tão Away from here. Enquanto eu queria que fosse um pouco mais stay with me e talvez as dúvidas cessassem, ou talvez até fossem extintas de vez, ou quem sabe por um tempo determinado. Eu sei que algumas vezes essa minha couraça tira tudo de órbita e depois para colocar no eixo dá um trabalho danado, mas não adianta me criticar e me julgar sem me ajudar de alguma maneira. Ela não vai quebrar tão fácil – a couraça – mas talvez ela te proteja do frio, da chuva, do sereno, se você permitir.

Dê-me então uns esclarecimentos no escuro, onde mesmo com olhos abertos eu não possa enxergar, mas tente, não me deixe nesse vazio, nesse esquisito, nessa aflição.Sei que alguns passos parecem mais pesados e a força parece ser cada vez menor, sei que nisso tudo não há nenhum culpado, mas não deixemos nada disso ficar pior.Eu sei de pouco, de muito pouco, o que me interessa eu não sei. Eu quero as respostas, quero as respostas completas para elaborar novas perguntas e colocar a vida adiante. Eu vou seguir adiante, você vem comigo?
Não sei por que você não fala tudo, por que esconde, por que discute, por que insiste. Por que não me escuta meu coração trovejar, por que não me escuta pedir um cigarro ou não matar a minha bomba de sena. Não sei onde estão os escrúpulos, a paz, as juras de amor e as promessas de casório com véu e grinalda. Sim, eu sei que no século XXI não se fala mais nisso, mas essa coisa de atualidade não ajuda muito a gente. Eu sei que deveria ter nascido alguns muitos anos atrás e hoje te chamar de “Ow, meu filho”, mas já que não foi assim, já que nos aceitamos como somos, como queremos ser, pensa no cavalheirismo, na linguagem, nas carícias de anos atrás. Nos valores, pensa que os valores eram outros e são esses que eu quero para nós, ou como diria o Senhor Mendonça, para eu-e-você. Eu não sei mais se quer acordar ao meu lado, ou se ainda prefere suco de uva, ou se tem alergia a corante ou se pretende parar de fumar, ou se pretende voltar a beber. Não sei mais se tem meu número decorado e se ainda lembra bem do meu endereço. Não sei se quer vir, se quer ficar, se quer esquecer, se quer afastar, se não quer dizer por medo, por aflição, por vergonha, por dúvida, pro certeza. Eu não sei, eu não sei e é esse não saber que não me deixa mais em paz.

Não me deixe sem saber.

Não me deixa sem saber se volta, ou por que está indo, ou por que tantos risos ou por que nenhuma alegria. Não me deixa sem saber se quer um abraço meu, se precisa de um abraço meu, se precisa de algo que exista em mim, se lhe sirvo para algo, nem que simplesmente para te lembrar um fato, uma piada, uma canção. Eu não sei mais nada, eu não sei mais se me ama, se ainda pensa em mim, se virou costume, se virou rotina, se vai acabar um dia se já acabou e eu não vi e você também não mostrou. Eu apenas não sei mais e é esse não saber que me incomoda, me sufoca, que me tortura, que me machuca aos poucos. É aquele mesmo não saber que não me deixa em paz.

E não se preocupa não, quando eu fico meio desnorteada, sem chão, confusa, eu grito com os dedos, assim só os surdos podem me ouvir. Pode ser que depois eu venha aqui e apague isso tudo alegando que não passam de meras palavras, grande bobagem, espasmo momentâneo, mas no presente momento, é tudo o que eu mais quero lhe dizer.