terça-feira, 17 de setembro de 2013

   De algum ângulo a vida de um terceiro se torna mais interessante, mais atraente, mais empolgante. De algum ângulo torto, de alguma esquina, de alguma rua e viela que ninguém passa, de alguma transversal, do pico de algum lugar, do topo de alguma montanha e da sutileza de algum malícia falar da vida alheia parece ser mais interessante, mais atraente, mais empolgante.

   Preencher sua alma vazia com as almas vazias e as vidas vazias das outras pessoas não faz o oco doer menos, não faz o oco doer mais. Cutuca o oco, provoca o oco, faz o oco doer. O oco que deveria não haver, dói. Dói na intensidade do seu passado, ainda dói como antes. Um oco escroto que ainda sente dor.

   Então, irmão, pegar seu pedregulho safado e jogar na roda não é a melhor opção. Pegar seu pedregulho safado, dilacerado, em pedaços, cheio de dor e mágoas e jogá-lo nas mãos de quem lhe quer bem, não é honesto, não é justo. Pegue de volta essa porcaria!

  Junte os frangalhos dessa merda e peça uma dose. Coloque tudo para dentro cada um na sua forma e tente mais uma vez seguir em frente. A vida é desse tipo, dê o outro lado e siga em frente. Se nada der certo beba mais uma dose, e outra, e outra. Beba até acreditar que será a dose certa para o agressor te digerir e se aceite no final, se aceite no final, se deguste no final que o próximo capítulo só quem sabe é Deus.





sábado, 24 de agosto de 2013

   De repente chove sentimentos e encharca a sua roupa, o problema é que ninguém precisa te dizer, você SABE que amanhã pela manhã tudo terá secado.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013


   De repente nada.
   A presença se tornou essencial, não havia mais como esconder, não era segredo para mais ninguém. De repente toda a rotina, toda a vida, os fins de semana, as festas, tudo mudou de rumo, tudo foi desajustado, desalinhado. Como trem que de repente sai do trilho, perde a direção e vai, simplesmente vai.
  Estava indo. Com uma fé no coração que não cabia no corpo inteiro, as mãos suando esperanças e os lábios sorrindo o risco, a tentativa pela milésima vez. Será que é agora? Será que é dessa vez?
   Estava indo e foi, só não se sabe para onde, nem quando vai chegar, nem se vai chegar, mas foi.

sábado, 17 de agosto de 2013

  O velho amigo dizia que eles precisavam se conhecer, não sabia o motivo, só sabia que precisavam. Falava de um para o outro como se já se conhecessem, mas não.
   Ela era uma mulher e ele um garotão. Eduardo e Mônica, já ouviu falar? Foi bem assim, vão ter que encarar.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

  De todos os dias que foram, que vêm. Das palavra ditas, ouvidas, pensadas. De todas as coisas e pessoas do mundo, é difícil acostumar com a ausência. Foram tantas poesias que pareciam ditas em vão, um segundo implorando por qualquer atenção. Os erros cometidos e que não tiveram perdão, por quê?
  A vida deveria ser bem menos medíocre do que realmente é, a vida é linda, Jão, a vida é linda, mas não cabe na palma da mão.
  Justificar o passado em uma bolha de sabão que estourou sem deixar perfume, sem deixar cor, sem deixar nada. Foi embora do mesmo jeito que chegou, sem avisar nada.
  E ter gente que acha que sabe mais da gente que a gente sabe, não sabe. Deduzir que o melhor não é tão melhor assim. O horizonte riscado pela ponta da caneta que escreveu o poema, sem rimas, sem remetente.
  Não querer mais saber do que dói mais, só suprir a dor que não cura pela confusão da mente e achar que a vida dá voltas, que tudo vai dar certo, que o bom da vida está por vir e não chegar. Nunca chega.












terça-feira, 6 de agosto de 2013

   Trocar a saudade por uma caneca de café e quanto mais amargar o paladar, mais uma colher de açúcar, por favor. Quanto mais o café esfriar, mais uma colher de açúcar, por favor. Quanto mais o café acabar, mais uma colher de açúcar, por favor. Algo nessa vida tem que ficar doce, que seja o café. E antes que o sangue fique doce demais, que o pâncreas morra e a Diabetes lhe abrace, o esqueça. Por favor.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

   E passar a vida inteira tentando esquecer um passado e chegar o momento em que se PARE de esperar por aquilo que não vai chegar NUNCA.