sexta-feira, 3 de abril de 2009
A pausa constante em um ciclo vicioso.
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Um dia eu achei que tudo estava muito bem e sem querer me apaixonei por um rapaz.
Ele nem sabia que em algum lugar do mundo eu existia, ou talvez soubesse, mas ainda não havia me conhecido. E o destino, irônico como sempre e nunca falhou, fez-se útil e uniu-me a ele. E da maneira mais imoderada possível, mais desenfreada, ele diante de meus olhos é a personificação da perfeição, pois seus defeitos são tão minúsculos que se perdem entre um sorriso e outro e nunca me parecem vivos.
Com o tempo, parcialmente curto, criamos um vínculo, o dono dos meus sonhos e desejos é gay, e eu respeito.
Apesar de que meu pobre coração em apuros não resistiu e espatifou, mas ninguém viu.
A situação é a mesma, embora tenhamos aqui personagens de uma mesma peça, mas invertidos, se é que você me entende.
Ele não é meu, nunca vai ser meu, mas eu digo desde já que eu não posso mais viver sem ele.
E por mais que você diga que eu não poder é exagero por demais, eu salto na frente e esclareço: Eu posso, eu não quero.
Essa história de alma gêmea, metade da laranja, tampa da panela, não é verídica. Os amores mudam, as coisas renovam, as coisas acontecem sem que você tenha a extrema necessidade de procurar. Vez ou outra, o “alvo” é incerto e você vê que quem você procurava estava em um ângulo tão distorcido que nem a visão periférica captou, as coisas acontecem, simplesmente acontecem. Enquanto outras vezes você quer muito que se encaixem, mas não dá certo.
E o incerto tantas vezes é o melhor que poderia lhe acontecer e você fica sem saber decifrar o que deveras sente, como aquele cara falou “Não sei se é trágico ou mágico”.
Pois eu sei, é mágico.
Eu já ouvi música e pensei nela, lembrei da voz dela e do jeito bonito que ela tem de falar. Escrevi um retalho de crônica e pensei nela, de quando ela entrava e saía do mar. Vi uma estrela cadente e pensei nela novamente, a cor da estrela lembrava os fios soltos do cabelo dela. E isso não te machuca, isso não me machuca, isso não machuca ninguém. Quanto custa deixar tudo como está e o que tiver que ser, será? Eu pago o dobro – se dividir no cartão.
Mas é aquela história, se não for ela, não será mais nenhuma. É uma regra que eu tive a audácia de impor para mim mesma para parar com essa coisa de agir sem estribeiras, embora seja natural da minha pessoa – manda beijo.
Na verdade, acho que você está confusa demais. É muita coisa na sua cabeça, minha menina, e se por acaso afastar-se de mim é a maneira mais fácil de fugir de uma bobagem como essa, faça-o, mas não volte, eu sou prática. Não costumo ficar esperando por quem pede arrego, por quem pede penico.
Eu me conheço há dezoito, quase dezenove anos, e daqui a poucos dias eu estarei rindo disso que aconteceu. Vai entrar na minha história: O dia em que o impossível veio à tona, ou quem sabe, falar como Caio Fernando: O amor não é para o meu bico.
Vai ficar tudo bem. Como acabei de falar, em poucos dias isso acaba. Ele continuará com ele, você continuará com ele, ela continuará com ela e eu continuarei aqui escrevendo as coisas que eu passei a vida inteira guardando dentro de mim.
Eu já vi esse filme.
Ele nem sabia que em algum lugar do mundo eu existia, ou talvez soubesse, mas ainda não havia me conhecido. E o destino, irônico como sempre e nunca falhou, fez-se útil e uniu-me a ele. E da maneira mais imoderada possível, mais desenfreada, ele diante de meus olhos é a personificação da perfeição, pois seus defeitos são tão minúsculos que se perdem entre um sorriso e outro e nunca me parecem vivos.
Com o tempo, parcialmente curto, criamos um vínculo, o dono dos meus sonhos e desejos é gay, e eu respeito.
Apesar de que meu pobre coração em apuros não resistiu e espatifou, mas ninguém viu.
A situação é a mesma, embora tenhamos aqui personagens de uma mesma peça, mas invertidos, se é que você me entende.
Ele não é meu, nunca vai ser meu, mas eu digo desde já que eu não posso mais viver sem ele.
E por mais que você diga que eu não poder é exagero por demais, eu salto na frente e esclareço: Eu posso, eu não quero.
Essa história de alma gêmea, metade da laranja, tampa da panela, não é verídica. Os amores mudam, as coisas renovam, as coisas acontecem sem que você tenha a extrema necessidade de procurar. Vez ou outra, o “alvo” é incerto e você vê que quem você procurava estava em um ângulo tão distorcido que nem a visão periférica captou, as coisas acontecem, simplesmente acontecem. Enquanto outras vezes você quer muito que se encaixem, mas não dá certo.
E o incerto tantas vezes é o melhor que poderia lhe acontecer e você fica sem saber decifrar o que deveras sente, como aquele cara falou “Não sei se é trágico ou mágico”.
Pois eu sei, é mágico.
Eu já ouvi música e pensei nela, lembrei da voz dela e do jeito bonito que ela tem de falar. Escrevi um retalho de crônica e pensei nela, de quando ela entrava e saía do mar. Vi uma estrela cadente e pensei nela novamente, a cor da estrela lembrava os fios soltos do cabelo dela. E isso não te machuca, isso não me machuca, isso não machuca ninguém. Quanto custa deixar tudo como está e o que tiver que ser, será? Eu pago o dobro – se dividir no cartão.
Mas é aquela história, se não for ela, não será mais nenhuma. É uma regra que eu tive a audácia de impor para mim mesma para parar com essa coisa de agir sem estribeiras, embora seja natural da minha pessoa – manda beijo.
Na verdade, acho que você está confusa demais. É muita coisa na sua cabeça, minha menina, e se por acaso afastar-se de mim é a maneira mais fácil de fugir de uma bobagem como essa, faça-o, mas não volte, eu sou prática. Não costumo ficar esperando por quem pede arrego, por quem pede penico.
Eu me conheço há dezoito, quase dezenove anos, e daqui a poucos dias eu estarei rindo disso que aconteceu. Vai entrar na minha história: O dia em que o impossível veio à tona, ou quem sabe, falar como Caio Fernando: O amor não é para o meu bico.
Vai ficar tudo bem. Como acabei de falar, em poucos dias isso acaba. Ele continuará com ele, você continuará com ele, ela continuará com ela e eu continuarei aqui escrevendo as coisas que eu passei a vida inteira guardando dentro de mim.
Eu já vi esse filme.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
No dia em que você for embora, eu viro pó.
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São seus abraços que me demoram anos e me sonham séculos, é seu afago.
Seu ombro que suporta a dor da minha cabeça e o peso da minha consciência, é seu sorriso que alimenta a minha plenitude e a sua atenção que derrota a angústia tão plena e serena que habita onde nada mais há, e é o cheiro do seu vinho que me embriaga e me faz perder o sentido, qual sentido? Não faz sentido você me deixar por aqui.
Você sabe, no dia em que você for embora, eu viro pó.
“ Eu volto e cheiro você todinha só para te levar comigo.”
Se não prometer eu não choro, ou choro por dentro em qualquer circunstância. Eu te amo e leve em você um pouco da minha audácia por não ter muito o que fazer com ela caso eu esteja aos pedaços ou no mínimo sem você por perto. É difícil seguir em frente quando tem um passado tão lindo e quer prender-se a ele tão sutilmente por um tempo qualquer. É burrice, eu sei, mas parece ser o mais doce a se fazer no momento.
E o momento em questão, é o momento na qual eu fico sem chão, fico procurando um esconderijo para escapar da perseguição incansável da saudade, mas é sem sucesso. A saudade não sai mais de mim.
E meu corpo inteiro está encharcado das lágrimas que foram escorrendo uma a uma, numa calma de dar dó. Escorreram tão levemente pelo seio, estômago, umbigo, perna e asfalto. Até formar uma poça bem grande, mas não o suficiente para eu me afogar.
E aonde você vai? Para onde você pensa que vai? Eu já sei, seu silêncio sublime é capaz de dizer o que o português inteiro não diria, vai procurar novos horizontes. Faça valer a promessa, me leve com você. Dentro da carteira de cigarro, como um vício. Dentro do tanque, como combustível. Dentro da mala, como uma necessidade. Apenas me leve.
E por aqui, as coisas vão ficar esquisitas. Estilo um vazio que nunca preenche, ou até mesmo – quem sabe – um café que nunca está tão quente, ou um escuro que nunca cega os olhos curiosos.
Ou aquela dor que nem dói mais depois de tanto costume, ou talvez sempre doa, mas há outras dores que desviam a nossa atenção – e dessas, eu sinto muito bem.
Contudo, tudo permanece sem fundamento. Tal qual um sol que nunca raia, ou um show lindo que acabamos sendo obrigados a nos acostumar com o final, ou tal qual a imperfeição que vai subindo pelas pernas já alcançando a cintura e subindo, subindo. Ou aquele martírio interno que parece não ter fim e ainda tem que ser moldurado com um sorriso no rosto, dos piores.
E eu tenho andado mil léguas para não te perder de vista, procurando um aposento bem perto para te olhar o dia inteiro e não cansar, por saber que é em você que se esconde a minha plenitude, minha força. Você bem sabe que aonde você for um pedaço gigante de mim te seguirá, e sem saber você me guiará para o paraíso.
Já posso sentir o Malbec entrando pela porta entreaberta e invadindo meu recinto, e ouvir as gargalhadas tomando conta da música que fica tão pobre quando você sorri, e o céu que fica tão perto quando você me toca.
Você é meu amigo, meu anjo e quanto mais distante me parece estar, mais lentamente o meu coração parece bater. É, Bonitinho das Tapiocas, o drama foi grande, mas você sabe: Eu te amo.
Seu ombro que suporta a dor da minha cabeça e o peso da minha consciência, é seu sorriso que alimenta a minha plenitude e a sua atenção que derrota a angústia tão plena e serena que habita onde nada mais há, e é o cheiro do seu vinho que me embriaga e me faz perder o sentido, qual sentido? Não faz sentido você me deixar por aqui.
Você sabe, no dia em que você for embora, eu viro pó.
“ Eu volto e cheiro você todinha só para te levar comigo.”
Se não prometer eu não choro, ou choro por dentro em qualquer circunstância. Eu te amo e leve em você um pouco da minha audácia por não ter muito o que fazer com ela caso eu esteja aos pedaços ou no mínimo sem você por perto. É difícil seguir em frente quando tem um passado tão lindo e quer prender-se a ele tão sutilmente por um tempo qualquer. É burrice, eu sei, mas parece ser o mais doce a se fazer no momento.
E o momento em questão, é o momento na qual eu fico sem chão, fico procurando um esconderijo para escapar da perseguição incansável da saudade, mas é sem sucesso. A saudade não sai mais de mim.
E meu corpo inteiro está encharcado das lágrimas que foram escorrendo uma a uma, numa calma de dar dó. Escorreram tão levemente pelo seio, estômago, umbigo, perna e asfalto. Até formar uma poça bem grande, mas não o suficiente para eu me afogar.
E aonde você vai? Para onde você pensa que vai? Eu já sei, seu silêncio sublime é capaz de dizer o que o português inteiro não diria, vai procurar novos horizontes. Faça valer a promessa, me leve com você. Dentro da carteira de cigarro, como um vício. Dentro do tanque, como combustível. Dentro da mala, como uma necessidade. Apenas me leve.
E por aqui, as coisas vão ficar esquisitas. Estilo um vazio que nunca preenche, ou até mesmo – quem sabe – um café que nunca está tão quente, ou um escuro que nunca cega os olhos curiosos.
Ou aquela dor que nem dói mais depois de tanto costume, ou talvez sempre doa, mas há outras dores que desviam a nossa atenção – e dessas, eu sinto muito bem.
Contudo, tudo permanece sem fundamento. Tal qual um sol que nunca raia, ou um show lindo que acabamos sendo obrigados a nos acostumar com o final, ou tal qual a imperfeição que vai subindo pelas pernas já alcançando a cintura e subindo, subindo. Ou aquele martírio interno que parece não ter fim e ainda tem que ser moldurado com um sorriso no rosto, dos piores.
E eu tenho andado mil léguas para não te perder de vista, procurando um aposento bem perto para te olhar o dia inteiro e não cansar, por saber que é em você que se esconde a minha plenitude, minha força. Você bem sabe que aonde você for um pedaço gigante de mim te seguirá, e sem saber você me guiará para o paraíso.
Já posso sentir o Malbec entrando pela porta entreaberta e invadindo meu recinto, e ouvir as gargalhadas tomando conta da música que fica tão pobre quando você sorri, e o céu que fica tão perto quando você me toca.
Você é meu amigo, meu anjo e quanto mais distante me parece estar, mais lentamente o meu coração parece bater. É, Bonitinho das Tapiocas, o drama foi grande, mas você sabe: Eu te amo.
P.S.: É ele quem "samba o samba do Crioulo Doido", o Allyson. Huihsuiahsuiahs
quinta-feira, 26 de março de 2009
terça-feira, 24 de março de 2009
""
"Eu só queria ter do mato
Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza
E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza ...
E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Senão chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida."
Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza
E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza ...
E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Senão chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida."
domingo, 22 de março de 2009
Simpatia custa caro.

Bom dia, Boa tarde, Boa noite. Pode entrar, Como vai? Um abraço, um beijo, um aperto de mão, um sorriso de lado, um disfarce na cólica, uma conversa agradável, um carisma esborrando dos copos, molhando a toalha de mesa. Mais molho tarê, um recipiente pequeno para uma porção de gergelim.
Venha conosco, conte mais estórias, você é engraçado. Diálogos, mentiras que eu senti, um cheiro bom passou por mim, era você.
Eles me ensinaram a falar com quem conheço, não passar despercebido. Disseram-me para falar menos palavrão, ser mais simpática (Sem saber que eu sempre fui). O Bramalho quase me engole quando eu sou fria e inconstante, o Dudo fala no pé do ouvido que eu fui um pouco rude e eu resolvo ceder.
Uma ligação para cantar aquela música brega e engraçadíssima, e uns risos que nem eu e nem você consegue controlar, você é boa companhia.
- Chama o rapazinho para sair com a gente.
Não beba muito, tentar ir, chega cedo, cadê você? Não agite antes de usar.
Uma partida de Damas e em cinco minutos você ganha, elogios na medida do possível, só para não falar o contrário. Vem cá, dá um abraço. Nunca presta atenção no que eu falo, mas depois pergunta tudo de novo, eu nem canso.
- Tem visto o rapazinho?
Não suma por um ano novamente, Gordinho, Gordinho. Está fazendo o quê? Por que você demora tanto? Muito tempo e tenho tão poucas estórias para contar.
Açaí me lembra você, Mercury me lembra você, Pantera me lembra você, uma presença que eu não sei de onde vem, me lembra você e a ausência também. E de repente não quero mais saber do rapazinho.
Eu não vim para dar sermão, mas eu vim para dizer que algumas pessoas por maiores que sejam fisicamente não podem se deixar enganar, o ego também pode as engolir. Algumas pessoas só querem ser agradáveis e outras nem se esforçam, apenas são assim mesmo. Não é sinônimo de paixão não, é sinônimo de carisma, de afeição.
Você é lindo, tem seu charme, sua inteligência no lugar, socializa-se bem, fala demais (não que eu ache ruim). Você me faz rir (e disso você sabe muito bem), eu gosto mesmo de você, mas vamos medir esse verbo ‘gostar’. Eu até seria rude (não com a intenção de te atingir) e diria “você não faz o meu tipo”, mas acho que com esse ego todo, você não faz o tipo de ninguém.
Numa boa, sem rancor, você é um cara incrível e estamos todos aí. Qualquer coisa é só ligar e nem se preocupe, Simpatia, eu não vou me apaixonar por você. Hahaha.
Sério, escreve um poema com a sua imaginação fértil, que tal "o dia em que pensei que todas estavam a meus pés". Desculpa, peguei pesado.
Mas é, meu anjo, algumas pessoas podem simplesmente gostar de você sem nenhum interesse sexual, e advinha, você é tão agradável que eu até poderia ser uma das que tanto te querem, não das que não te conhecem e te querem apenas por querer. Mas talvez eu viesse a querer te ter mais perto de vez em quando, de vez em nunca... Eu te quero mais perto de vez em quando, de vez em nunca, mas sem a malícia. Não sou uma das que escalariam o nada para tocar o céu, roubar uma estrela e ter um pedaço do teu amor, não das que beijam o teu chão, nem das que almejam um belo rapaz para desfilar, eu não sou desse tipo. Portanto, bem vindo ao meu mundo e veja só como a vida é uma comédia, nem tive tempo de quebrar a cara dessa vez e bem, nem vou me esforçar. Haha.......ha.
domingo, 15 de março de 2009
Contando segredos
Eu simplesmente não sei mais me descrever em meras palavras e nem te fazer caber somente em meu coração tão miúdo e doente, você ocupa meu mundo.
E é essa leveza tão doce, gelada que me mantém sorrindo por mediocridade, me mantém fingindo que nesse resto ainda há fé. Nesse rastro ainda há caminho, esperança.
Enquanto você transborda em meu olhar, como se fosse tudo um olhar só, na direção do horizonte ou de um lugar onde nós nem sequer imaginamos que exista, ou que finja existir tal qual eu e você.
Tantas foram as vezes em que eu te vi chorar, pelas pontas dos dedos, pelas palavras mal ditas, pelo brilho do anel, pelo silêncio secreto e nunca pelos olhos e eu tive medo de ter razão e invadir o seu mundo e fiquei caladinha, sentadinha ao seu lado como um gato que precisa de carinho, como um cretino que precisa de um abraço e um mendigo que precisa de afeto.
Eu me despedaço o dia inteiro, rapaz. Eu me despeço o dia inteiro da paz, a noite inteira da luz, por saber que a ironia da vida vai te levar embora um dia, para longe, para onde meus braços não possam alcançar, só o coração travesso e apressado. Te levar para onde deus quiser. Um lugar tão distante que meus pés vão se dilatar, um lugar tão distante que eu provavelmente não vou nunca chegar, mas eu quero, vou me perder, mas não te perco.
Vou sair perdida no mundo feito uma bala atirada para cima que não sabe aonde vai cair, eu vou. Vou subir, descer montanha, dançar com o frio diante da luz do luar. Vou me jogar no mundo vasto e correr não sei para onde até te encontrar. Vou procurar a mais bela relva, me jogar sem receio e dormir até a primavera chegar, e sempre que anoitecer vou agoniar e sufocar de tanto medo, por achar que ninguém sobrevive com o coração aos pedaços, somente eu. E se eu for e não te encontrar, eu vou voltar. E em todos os lugares eu estarei lhe esperando. No banco da praça, na poltrona do cinema, na fila do banco, no táxi, na rodovia, onde você menos imaginar. Nos poemas, nas canções mais antigas e nas mais recentes bem pouco, estarei nos bilhetes, sorrisos e lágrimas, saudades e medos, estarei onde você quiser que eu esteja, eu sempre estarei lá.
Na fonte que seca, na sede saciada sem nem uma gota d’água, estarei na tristeza, no meu inferno particular. Estarei no chão quente e rachado do sertão, nos raios que o sol cospe por aqui e sai matando de sede as cabritinhas que dão sustento à família pobre, eu estarei onde seus olhos alcançarem.
Não ter você me destrói cada dia um pouco mais e a vontade já não está tão capaz de me manter de pé por mais tanto tempo. Quanto tempo, quanto tempo.
É esse tempo que me cala a voz e faz gritar a alma latejante que eu carrego a pulso, esse tempo infeliz que me congela no frio, me descongela, que frio.
É meio complexo para quem tem a mente vazia, ou para quem coloca defeito em tudo,mas você não. Contudo, quando eu digo que sinto a sua falta, é porque essa ausência já roubou todo o oxigênio do meu mundo.
E é essa leveza tão doce, gelada que me mantém sorrindo por mediocridade, me mantém fingindo que nesse resto ainda há fé. Nesse rastro ainda há caminho, esperança.
Enquanto você transborda em meu olhar, como se fosse tudo um olhar só, na direção do horizonte ou de um lugar onde nós nem sequer imaginamos que exista, ou que finja existir tal qual eu e você.
Tantas foram as vezes em que eu te vi chorar, pelas pontas dos dedos, pelas palavras mal ditas, pelo brilho do anel, pelo silêncio secreto e nunca pelos olhos e eu tive medo de ter razão e invadir o seu mundo e fiquei caladinha, sentadinha ao seu lado como um gato que precisa de carinho, como um cretino que precisa de um abraço e um mendigo que precisa de afeto.
Eu me despedaço o dia inteiro, rapaz. Eu me despeço o dia inteiro da paz, a noite inteira da luz, por saber que a ironia da vida vai te levar embora um dia, para longe, para onde meus braços não possam alcançar, só o coração travesso e apressado. Te levar para onde deus quiser. Um lugar tão distante que meus pés vão se dilatar, um lugar tão distante que eu provavelmente não vou nunca chegar, mas eu quero, vou me perder, mas não te perco.
Vou sair perdida no mundo feito uma bala atirada para cima que não sabe aonde vai cair, eu vou. Vou subir, descer montanha, dançar com o frio diante da luz do luar. Vou me jogar no mundo vasto e correr não sei para onde até te encontrar. Vou procurar a mais bela relva, me jogar sem receio e dormir até a primavera chegar, e sempre que anoitecer vou agoniar e sufocar de tanto medo, por achar que ninguém sobrevive com o coração aos pedaços, somente eu. E se eu for e não te encontrar, eu vou voltar. E em todos os lugares eu estarei lhe esperando. No banco da praça, na poltrona do cinema, na fila do banco, no táxi, na rodovia, onde você menos imaginar. Nos poemas, nas canções mais antigas e nas mais recentes bem pouco, estarei nos bilhetes, sorrisos e lágrimas, saudades e medos, estarei onde você quiser que eu esteja, eu sempre estarei lá.
Na fonte que seca, na sede saciada sem nem uma gota d’água, estarei na tristeza, no meu inferno particular. Estarei no chão quente e rachado do sertão, nos raios que o sol cospe por aqui e sai matando de sede as cabritinhas que dão sustento à família pobre, eu estarei onde seus olhos alcançarem.
Não ter você me destrói cada dia um pouco mais e a vontade já não está tão capaz de me manter de pé por mais tanto tempo. Quanto tempo, quanto tempo.
É esse tempo que me cala a voz e faz gritar a alma latejante que eu carrego a pulso, esse tempo infeliz que me congela no frio, me descongela, que frio.
É meio complexo para quem tem a mente vazia, ou para quem coloca defeito em tudo,mas você não. Contudo, quando eu digo que sinto a sua falta, é porque essa ausência já roubou todo o oxigênio do meu mundo.
Gustavo,
Tem Carolinas na geladeira, uns cd’s jogados na cama – acho que você vai gostar – tem um álbum de fotos atrás daquele pano – acho que você vai mangar. Tem um diário velho bem ali – se ler, não vai entender -, tem água sem gás na geladeira – não vai fazer mal ao seu estômago.
Tem muito gelo no congelador, muito mesmo, pode se esbaldar. Coca-Cola na porta, essa sim com muito gás.
Toalhas limpas na porta de cima do guarda-roupa, tem sabonetes na porta menor, a internet já está conectada, o ar condicionado você coloca o botão para cima e ele liga.
Se o travesseiro estiver molhado, tem outro perto das toalhas, ontem a noite foi difícil.
Mantenha a porta fechada com a chave, eu tenho medo.
Liga para o Kadu e pede para ele chegar logo, diz a ele que tem uns vinis “novos” no quarto ao lado do meu, e que tem uns livros na estante da sala que eu acho que ele vai se interessar.
Se ele quiser fumar, o cinzeiro está ao lado da tevê, abre as janelas. Ah, e tem um isqueiro perto do fogão.
Tem castanhas em cima da geladeira, e chocolate dentro. Diz ao Kadu que tem Guaraná no armário, usufrui do gelo, ele vai precisar.
Eu chego já, estou esperando tudo aqui dentro se estabilizar.
Com amor...
Jucy.
Tem Carolinas na geladeira, uns cd’s jogados na cama – acho que você vai gostar – tem um álbum de fotos atrás daquele pano – acho que você vai mangar. Tem um diário velho bem ali – se ler, não vai entender -, tem água sem gás na geladeira – não vai fazer mal ao seu estômago.
Tem muito gelo no congelador, muito mesmo, pode se esbaldar. Coca-Cola na porta, essa sim com muito gás.
Toalhas limpas na porta de cima do guarda-roupa, tem sabonetes na porta menor, a internet já está conectada, o ar condicionado você coloca o botão para cima e ele liga.
Se o travesseiro estiver molhado, tem outro perto das toalhas, ontem a noite foi difícil.
Mantenha a porta fechada com a chave, eu tenho medo.
Liga para o Kadu e pede para ele chegar logo, diz a ele que tem uns vinis “novos” no quarto ao lado do meu, e que tem uns livros na estante da sala que eu acho que ele vai se interessar.
Se ele quiser fumar, o cinzeiro está ao lado da tevê, abre as janelas. Ah, e tem um isqueiro perto do fogão.
Tem castanhas em cima da geladeira, e chocolate dentro. Diz ao Kadu que tem Guaraná no armário, usufrui do gelo, ele vai precisar.
Eu chego já, estou esperando tudo aqui dentro se estabilizar.
Com amor...
Jucy.
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